PERMANECENDO ABERTOS

Quando se fala de Paulo Coelho, muitas pessoa (a grande maioria!) torce o nariz.

Quem é ele para estar na Academia Brasileira de Letras?

Qualquer um conseguiria escrever seus livros!

Sua filosofia de vida é uma balela só!

E etc... etc... etc...

E por aí vai...

Sou meio Pollyanna... Embora nem sempre consiga, tento tirar o que há de bom em tudo o que me cruza o caminho. E isso se aplica a fatos... livros... filmes... pessoas...

Não posso dizer que sou uma devoradora de seus livros. Não li tudo. Li Brida, O Diário de um Mago, O Alquimista e As Valkírias . Parei por aí. Não me perguntem por que. Não saberia dar uma razão exata. Mas segundo ele próprio, não somos nós que escolhemos os livros, mas sim o inverso. Talvez por isso, li o que me tocou, e nunca mais li outro de seus livros.

Por incrível que pareça, ele tbm tem um 'blog'. E nele ele escreve, despretenciosamente, coisas do seu dia-a-dia e de suas viagens. Com isso, de certa forma, voltei a 'ler' Paulo Coelho. E novamente encontrei coisas que me 'falaram' diretamente. Engraçado, não?

Aí vai um texto dele muito interesante e muito oportuno... com um timing perfeito.

Para aqueles que gostam de Paulo Coelho, enjoy!

Para aqueles que não gostam, 'permaneçam abertos'... e tentem ler o texto sem pensar em quem o escreveu. Pode ser que valha a pena.
Bjs amados....
Sora

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PERMANECENDO ABERTOS
por Paulo Coelho

"Existem momentos em que gostaríamos muito de ajudar a quem amamos muito, mas não podemos fazer nada. Ou as circunstâncias não permitem que nos aproximemos, ou a pessoa está fechada para qualquer gesto de solidariedade e apoio. Então, nos resta apenas o amor.

Nos momentos em que tudo é inútil, ainda podemos amar - sem esperar recompensas, mudanças, agradecimentos. Se conseguimos agir desta maneira, a energia do amor começa a transformar o universo a nossa volta. Quando esta energia aparece, sempre consegue realizar o seu trabalho.

'O tempo não transforma o homem. O poder da vontade não transforma o homem. O amor transforma o homem.', diz Henry Drummond. Li no jornal sobre uma criança, em Brasília, que foi brutalmente espancada pelos pais. Como resultado, perdeu os movimentos do corpo e ficou sem fala. Internada no Hospital de Base, ela foi cuidada por uma enfermeira que lhe dizia diariamente: "eu te amo". Embora os médicos garantissem que não conseguia escutá-la, e que seus esforços eram inúteis, a enfermeira continuava a repetir: "Eu te amo, não esqueça". Três semanas depois, a criança havia recuperado os movimentos. Quatro semanas depois, voltava a falar e sorrir. A enfermeira nunca deu entrevistas, e o jornal não publicava seu nome - mas fica aqui o registro, para que não esqueçamos nunca: o amor cura.

O amor transforma, o amor cura. Mas às vezes, o amor constrói armadilhas mortais, e termina destruindo a pessoa que resolveu entregar-se por completo. Que sentimento complexo é este que - no fundo - é a única razão para continuarmos vivos, lutando, procurando melhorar?

Seria uma irresponsabilidade tentar defini-lo, porque, como todo o resto dos seres humanos, eu apenas consigo senti-lo. Milhares de livros são escritos, peças teatrais encenadas, filmes produzidos, poesias criadas, esculturas talhadas na madeira ou no mármore, e mesmo assim, tudo que o artista pode passar é a idéia de um sentimento - não o sentimento em si.

Mas eu aprendi que este sentimento está presente nas pequenas coisas, e se manifesta na mais insignificante das atitudes que tomamos, portanto é preciso ter o amor sempre em mente, quando agimos ou quando deixamos de agir.

Pegar o telefone e dizer a palavra de carinho que adiamos.
Abrir a porta e deixar entrar quem precisa de nossa ajuda.
Aceitar um emprego.
Abandonar um emprego.
Tomar a decisão que estávamos deixando para depois.
Pedir perdão por um erro que cometemos e que não nos deixa em paz.
Exigir um direito que temos.
Abrir uma conta no florista, que é mais importante que o joalheiro.
Colocar a música bem alta quando a pessoa amada estiver longe...
Abaixar o volume quando ela estiver perto.
Saber dizer "sim" e "não", porque o amor lida com todas as energias do homem.
Descobrir um esporte que possa ser praticado a dois.
Não seguir nenhuma receita, nem mesmo as que estão neste parágrafo - porque o amor precisa de criatividade.

E quando nada disso for possível, quando o que resta é apenas a solidão, então lembrar-se de uma história que um leitor me enviou certa vez: Uma rosa sonhava dia a noite com a companhia das abelhas, mas nenhuma vinha pousar em suas pétalas. A flor, entretanto, continuava a sonhar: durante suas longas noites, imaginava um céu onde voavam muitas abelhas, que vinham carinhosamente beijá-la. Certa noite, conhecendo a solidão da rosa, a lua perguntou:
- Você não está cansada de esperar?
- Talvez. Mas preciso continuar lutando.
- Por que?
- Porque, se eu não me abrir, eu murcho.
Nos momentos onde a solidão parece esmagar toda a beleza, a única maneira de resistir é continuarmos abertos."

1 Pitacos:

Amorosa disse...

Adoro seu estilo sensível de escrever. Li todos do Paulo Coelho (ele me faz sonhar). Concordo com o que você falou e também tento ler sob a ótica da Polliana.
Beijos.