MEAOW... PRRRRR...




Muita gente se surpreende quando digo que agora tenho um gato (de 4 patas, viu galera!). Dartagnan é tãããão lindo!!!


Por muito tempo eu não entendia a essência do "ser gato". Aliás, como muita gente por aí.


Eu sou prova viva de que, um gato, antes de tê-lo vc tem que entendê-lo e conquistá-lo.


Visto por este ângulo, é sempre mais 'fácil' ter um cão, então. rsrsrs...


Arthur da Távola traduz lindamente essa 'essência'. Então, condenso aqui a "Ode ao Gato" dele. Enjoy!

ODE AO GATO (Abridged)
"Bichos polêmicos sem o querer, porque sábios, mas inquietantes, talvez por isso. Nada é mais incômodo que o silencioso bastar-se dos gatos.
O só pedir a quem amam.
O só amar a quem os merece.
O gato não satisfaz as necessidades doentias do amor. Só as saudáveis.
O gato devolve ao homem a exata medida da relação que dele parte.
Sábio, é espelho.
O gato é zen.
O gato é Tao.
Ele conhece o segredo da não-ação que não é inação.
Nada pede a quem não o quer. Exigente com quem ama, mas só depois de muito certificar-se. Não pede amor, mas se lhe dá, então ele exige.
Sim, o gato não pede amor. Nem depende dele. Mas, quando o sente, é capaz de amar muito. Discretamente, porém sem derramar-se.
O gato é um italiano educado na Inglaterra. Sente como um italiano mas se comporta como um lorde inglês.
Quem não se relaciona bem com o próprio inconsciente não transa o gato. Ele aparece, então, como ameaça, porque representa essa relação precária do homem com o (próprio) mistério.
O gato não se relaciona com a aparência do homem. Ele vê além, por dentro e pelo avesso. Relaciona-se com a essência. Por isso, quando surge nele um ato de entrega, de subida no colo ou manifestação de afeto, é algo muito verdadeiro, que não pode ser desdenhado. É um gesto de confiança que honra quem o recebe, pois significa um julgamento.
O homem não sabe ver o gato, mas o gato sabe ver o homem.
Se há desarmonia real ou latente, o gato sente.
Se há solidão, ele sabe e atenua como pode (ele que enfrenta a própria solidão de maneira muito mais valente que nós).
Se há pessoas agressivas em torno ou carregadas de maus fluidos, ele se afasta. Nada diz, não reclama. Afasta-se.
Quem não o sabe "ler" pensa que "ele não está ali". Presente ou ausente, ele ensina e manifesta algo. Perto ou longe, olhando ou fingindo não ver, ele está comunicando códigos que nem sempre (ou quase nunca) sabemos traduzir.
O gato vê mais e vê dentro e além de nós.
Relaciona-se com fluidos, auras, fantasmas amigos e opressores.
O gato é médium, bruxo, alquimista e parapsicólogo.
É uma chance de meditação permanente a nosso lado, a ensinar paciência, atenção, silêncio e mistério.
O gato é um monge portátil à disposição de quem o saiba perceber. Monge, sim, refinado, silencioso, meditativo e sábio monge, a nos devolver as perguntas medrosas esperando que encontremos o caminho na sua busca, em vez de o querer preparado, já conhecido e trilhado.
Lição de sono e de musculação, o gato nos ensina todas as posições de
respiração ioga. Ensina a dormir com entrega total e diluição recuperante no
Cosmos. Ensina a espreguiçar-se com a massagem mais completa em todos em todos os músculos, preparando-os para a ação imediata. O gato sai do sono para o máximo de ação, tensão e elasticidade num segundo. Conhece o desempenho preciso e milimétrico de cada parte do seu corpo, a qual ama e preserva como a um templo.
Lição de saúde sexual e sensualidade.
Lição de envolvimento amoroso com medicação integral de vários dias.
Lição de organização familiar e de definição de espaço próprio e território pessoal.
Lição de anatomia, equilíbrio, desempenho muscular.
Lição de salto.
Lição de silêncio.
Lição de descanso.
Lição de introversão.
Lição de contato com o mistério, com o escuro, com a sombra.
Lição de religiosidade sem ícones.
Lição de alimentação e requinte.
Lição de bom gosto e senso de oportunidade.
Lição de vida, enfim, a mais completa, diária, silenciosa, educada, sem cobranças, sem veemências, sem exigências.
O gato é uma chance de interiorização e sabedoria posta pelo mistério à disposição do homem."



(Condensado de "Ode ao Gato" de Arthur da Távola)

2 Pitacos:

Amorosa disse...

Oieeeeee!!!
Estive por aqui pra te conhecer melhor!
Vamos caminhar no Parque de novo? Adorei sua companhia!
Balzaquiana "não tão solteira" do DF.
Márcia

Thaty disse...

Acho um absurdo comentar um post de quase 3 meses atrás, mas vamos lá...hehehe

"...Até hoje criei gatos - alguns de raça
Gatos são altivos, oportunistas,
auto-suficientes, apesar de sumamente
belos e graciosos
Tentei (em vão) aprender com eles a lição
máxima da auto estima... gatos são exímios
na arte de se vender caro
Agora eu procuro um vira-latas - talvez
nem tenha que procurar - não só como
amigo, mas como instrutor
Quero assumir as virtudes que nele
sobejam como a transparência,
a ressonância, a espontaneidade e,
acima de tudo, a capacidade de amar
incondicionalmente, mesmo quando
escorraçado."
Fátima Irene Pinto - retirado do livro Relicário