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BROKEN HEART CONVENTION

Já disse e repito: que os ditos intelectuais falem do Paulo Coelho o que quiserem, mas eu gosto do cara. Sério!

É que meu lado Pollyanna (again!) prefere peneirar o que há de bom e interessante naquilo que ele escreve. Ponto! E, btw, acho que a gente deveria fazer isso com tudo na vida. Sem radicalismos. Eu, pelo menos, tenho tentado.

Pois bem... hj no newsletter que recebo dele me chegou o texto abaixo, que divido aqui com vcs. Aí depois vcs me digam o que acharam...

Photo from La Salsera

CONVENÇÃO DOS FERIDOS POR AMOR

"Disposições gerais:

A - Em se considerando que está absolutamente correto o ditado “tudo vale no amor e na guerra”;

B – Em se considerando que na guerra temos a Convenção de Genebra, adotada em 22 de agosto de 1864, determinando como os feridos em campo de batalha devem ser tratados, ao passo que nenhuma convenção foi promulgada até hoje com relação aos feridos de amor, que são em muito maior número;

Fica decretado que:

Art. 1 – todos os amantes, de qualquer sexo, ficam alertados que o amor, além de ser uma benção, é algo também extremamente perigoso, imprevisível, capaz de acarretar danos sérios. Conseqüentemente, quem se propõe a amar, deve saber que está expondo seu corpo e sua alma a vários tipos de ferimentos, e não poderá culpar seu parceiro em nenhum momento, já que o risco é o mesmo para ambos.

Art. 2 – Uma vez sendo atingido por uma flecha perdida do arco de Cupido, deve em seguida solicitar ao arqueiro que atire a mesma flecha na direção contrária, de modo a não se submeter ao ferimento conhecido como “amor não correspondido”. Caso Cupido recuse tal gesto, a Convenção ora sendo promulgada exige do ferido que imediatamente retire a flecha do seu coração e a jogue no lixo. Para conseguir tal feito, deve evitar telefonemas, mensagens por internet, remessa de flores que terminam sendo devolvidas, ou todo ou qualquer meio de sedução, já que os mesmos podem dar resultados a curto prazo, mas sempre terminam dando errado com o passar do tempo. A Convenção decreta que o ferido deve imediatamente procurar a companhia de outras pessoas, tentando controlar o pensamento obsessivo “vale a pena lutar por esta pessoa”.!

Art. 3 – Caso o ferimento venha de terceiros, ou seja, o ser amado interessou-se por alguém que não estava no roteiro previamente estabelecido, fica expressamente proibida a vingança. Neste caso, é permitido o uso de lágrimas até que os olhos sequem, alguns socos na parede ou no travesseiro, conversas com amigos onde pode-se insultar o antigo(a) companheiro(a), alegar sua completa falta de gosto, mas sem difamar sua honra. A Convenção determina que seja também aplicada a regra do Art. 2: procurar a companhia de outras pessoas, preferivelmente em lugares diferentes dos freqüentados pela outra parte.

Art. 4 – Em ferimentos leves, aqui classificados como pequenas traições, paixões fulminantes que não duram muito, desinteresse sexual passageiro, deve-se aplicar com generosidade e rapidez o medicamento chamado Perdão. Uma vez este medicamento aplicado, não se deve voltar atrás uma só vez, e o tema precisa estar completamente esquecido, jamais sendo utilizado como argumento em uma briga ou em um momento de ódio.

Art. 5 – Em todos os ferimentos definitivos, também chamados “rupturas”, o único medicamento capaz de fazer efeito chama-se Tempo. Não adianta procurar consolo em cartomantes (que sempre dizem que o amor perdido irá voltar), livros românticos (cujo final é sempre feliz), novelas de TV ou coisas do gênero. Deve-se sofrer com intensidade, evitando-se por completo drogas, calmantes, orações para santos. Álcool só é tolerado em um máximo de dois copos de vinho por dia.

Determinação final: os feridos por amor, ao contrário dos feridos em conflitos armados, não são vítimas nem algozes. Escolheram algo que faz parte da vida, e assim devem encarar a agonia e o êxtase de sua escolha.

E os que jamais foram feridos por amor, não poderão nunca dizer: “vivi”.Porque não viveram."

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COMO SE FOSSE A PRIMEIRA VEZ

"Eu quero acreditar que vou olhar cada dia como se fosse a primeira vez. Ver as pessoas que me cercam com surpresa e espanto, alegre por descobrir que estão ao meu lado dividindo algo chamado amor, muito falado, pouco entendido.

Entrarei no primeiro ônibus que passar, sem perguntar em que direção está indo, e saltarei assim que olhar algo que me chame atenção. Passarei por um mendigo que me pedirá uma esmola. Talvez eu dê, talvez eu ache que irá gastar em bebida, e siga adiante – escutando seus insultos, e entendendo que esta é sua forma de comunicar-se comigo. Passarei por alguém que está tentando destruir uma cabine telefônica. Talvez eu tente impedi-lo, talvez eu entenda que faz isso porque não tem ninguém com quem conversar do outro lado da linha, e desta maneira procura espantar sua solidão.

Eu olharei tudo e todos como se fosse a primeira vez – principalmente as pequenas coisas, com as quais já estou habituado, e esqueci-me da magia que me cerca. As teclas do meu computador, por exemplo, que se movem com uma energia que eu não compreendo. O papel que aparece na tela, e que há muito tempo não se manifesta de maneira física, embora eu acredite que esteja escrevendo em uma folha branca, onde é fácil corrigir apertando apenas uma tecla. Ao lado da tela do computador acumulam-se alguns papéis que não tenho paciência de colocar em ordem, mas se eu achar que escondem novidades, todas estas cartas, lembretes, recortes, recibos, ganharão vida própria, e terão histórias curiosas – do passado e do futuro – para me contar. Tantas coisas no mundo, tantos caminhos percorridos, tantas entradas e saídas na minha vida.

Vou colocar uma camisa que costumo usar sempre, e pela primeira vez vou prestar atenção à sua etiqueta, a maneira como foi costurada, e vou procurar imaginar as mãos que a desenharam, e as máquinas que transformaram este desenho em algo material, visível.

E mesmo as coisas com as quais estou habituado – como o arco e as flechas, a xícara de café da manhã, as botas que se transformaram em uma extensão de meus pés depois de muito uso – serão revestidas do mistério da descoberta. Que tudo que minha mão tocar, meus olhos virem, minha boca provar, seja diferente agora, embora tenha sido igual por muitos anos. Assim, elas deixarão de ser natureza morta, e passarão a me transmitir o segredo de estarem comigo por tanto tempo, e manifestarão o milagre do reencontro com emoções que já tinham sido desgastadas pela rotina.

Quero olhar pela primeira vez o sol, se amanhã fizer sol; o tempo nublado, se amanhã estiver nublado. Acima de minha cabeça existe um céu que a humanidade inteira, em milhares de anos de observação, já deu uma série de explicações razoáveis. Pois eu esquecerei todas as coisas que aprendi a respeito das estrelas, e elas se transformarão de novo em anjos, ou em crianças, ou em qualquer coisa que eu sentir vontade de acreditar no momento.

O tempo e a vida foram transformando tudo em algo perfeitamente compreensível – e eu preciso do mistério, do trovão que é a voz de um deus enraivecido, e não uma simples descarga elétrica que provoca vibrações na atmosfera. Eu quero encher de novo minha vida de fantasia, porque um deus enraivecido é muito mais curioso, aterrador, e interessante, que um fenômeno físico.

E, finalmente, que eu olhe a mim mesmo como se fosse a primeira vez que estivesse em contato com meu corpo e minha alma. Que eu olhe esta pessoa que caminha, que sente, que fala como qualquer outra, que eu fique admirado com seus gestos mais simples, como conversar com o carteiro, abrir a correspondência, contemplar sua mulher dormindo ao lado, perguntando a si mesmo com o que ela estará sonhando.

E assim, permanecerei o que sou e o que gosto de ser, uma constante surpresa para mim mesmo. Este eu que não foi criado nem por meu pai, nem por minha mãe, nem pela minha escola, mas por tudo aquilo que vivi até hoje, que esqueci de repente, e estou descobrindo de novo.
"
Por incrível que pareça, eu tô tentando adotar essa filosofia,
aqui bem descrita por Paulo Coelho.
E tô impressionada (no bom sentido) com minhas descobertas.

PATHS

Illustration by Irisz Agocs


Por convergência do destino, coincidiu de eu e minhas amigas estarmos passando por uma fase de encruzilhadas... busca de novos caminhos... reformulação de objetivos.

Em alguns momentos a gente se sente 'encalhada' (literalmente, e não metaforicamente, tá?!).

Mas meu consolo é que um dia a maré TEM que subir!!

Aí vai um empurrãozinho. Texto de Paulo Coelho.

MANUAL DE CONSERVAR CAMINHOS

1]
O caminho começa em uma encruzilhada. Ali você pode parar e pensar em que direção seguir. Mas não fique muito tempo pensando, ou jamais sairá do lugar. Faça a clássica de Castañeda: qual destes caminhos tem um coração? Reflita bastante sobre as escolhas que estão adiante, mas uma vez dado o primeiro passo, esqueça definitivamente a encruzilhada, ou sempre ficará sendo torturado pela inútil pergunta: “será que escolhi o caminho certo?” Se você escutou seu coração antes de fazer o primeiro movimento, você escolheu o caminho certo.

2]
O caminho não dura para sempre. É uma benção percorrê-lo durante algum tempo, mas um dia ele irá terminar, portanto esteja sempre pronto para despedir-se a qualquer momento. Por mais que você fique deslumbrado por certas paisagens, ou assustado com algumas partes onde é necessário muito esforço para seguir adiante, não se apegue a nada. Nem às horas de euforia, nem aos intermináveis dias onde tudo parece difícil, e o progresso é lento. Cedo ou tarde um anjo virá, e sua jornada chega ao final, não esqueça.

3] Honre seu caminho. Foi sua escolha, sua decisão, e na medida que você respeita o chão onde pisa, também este chão passa a respeitar seus pés. Faça sempre o que for melhor para conservar e manter seu caminho, e ele fará o mesmo por você.

4] Esteja bem equipado. Leve um ancinho, uma pá, um canivete. Entenda que para as folhas secas os canivetes são inúteis, e para as ervas muito enraizadas os ancinhos são inúteis. Saiba sempre que ferramenta utilizar a cada momento. E cuide delas, porque são suas maiores aliadas.

5] O caminho vai para frente e para trás. Às vezes é preciso voltar porque foi perdido algo, ou uma mensagem que devia ser entregue foi esquecida no seu bolso. Um caminho bem cuidado permite que você volte atrás sem grandes problemas.

6] Cuide do caminho, antes de cuidar do que está a sua volta: atenção e concentração são fundamentais. Não se deixe distrair pelas folhas secas que estão nas margens, ou pela maneira como os outros estão cuidando dos seus caminhos. Use sua energia para cuidar e conservar o chão que acolhe seus passos.

7] Tenha paciência. Às vezes é preciso repetir as mesmas tarefas, como arrancar ervas daninhas ou fechar buracos que surgiram depois de uma chuva inesperada. Não se aborreça com isso, faz parte da viagem. Mesmo cansado, mesmo com certas tarefas repetitivas, tenha paciência.

8] Os caminhos se cruzam: as pessoas podem dizer como está o tempo. Escute os conselhos, tome suas próprias decisões. Só você é responsável pelo caminho que lhe foi confiado.

9] A natureza segue suas próprias regras: desta maneira, você tem que estar preparado para súbitas mudanças do outono, o gelo escorregadio no inverno, as tentações das flores na primavera, a sede e as chuvas de verão. Em cada uma destas estações, aproveite o que há de melhor, e não reclame das suas características.

10] Faça do seu caminho um espelho de si mesmo: não se deixe de maneira nenhuma influenciar pela maneira como os outros cuidam de seus caminhos. Você tem sua alma para escutar, e os pássaros para contar o que sua alma está dizendo. Que suas histórias sejam belas e agradem tudo que está a sua volta. Sobretudo, que as histórias que sua alma conta durante a jornada sejam refletidas em cada segundo de percurso.

11] Ame seu caminho: sem isso, nada faz sentido.


ENCERRANDO CICLOS

Tudo nessa vida é cíclico.
tudo tem começo e fim...
Fases...
O ano, o dia, a noite, a vida...
Engraçado uma amiga minha ter me
mandado este texto há alguns meses...
E hoje estar precisando de ouvir isso
mais uma vez.
Flô, lê de novo!!!

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ENCERRANDO CICLOS (Paulo Coelho)

Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final.
Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo
necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras
etapas que precisamos viver. Encerrando o ciclo, fechando portas, terminando capítulos - não importa o nome que damos,
o que importa é deixar no passado os momentos da vida que se acabaram.

Foi despedido do trabalho?
Terminou uma relação?
Deixou a casa dos pais?
Partiu para viver em outro país?
A amizade tão longamente cultivada
desapareceu sem explicação?
Você pode passar muito se perguntando
por que isso aconteceu.
Poderá dizer a si mesmo que não dará mais
um passo enquanto não entender as razões que
levaram certas coisas, que eram tão importantes
e sólidas em sua vida serem submetidas transformadas em pó.

Mas tal atitude será um desgaste imenso para todos:
seus pais, seu marido ou sua esposa, seus amigos,
seus filhos, seu irmão e todos estarão encerrando
capítulos, virando a folha, seguindo adiante e todos
sofrerão ao ver que você está parado.

Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e
no passado, nem mesmo quando tentamos entender
as coisas que acontecem conosco.
O que passou não voltará: não podemos ser
eternamente meninos, adolescente tardios,
filhos que se sentem culpados ou rancorosos
com os pais, amantes que revivem noite e dia
uma ligação com quem já foi embora e não tem
a maior intenção de voltar.
As coisas passam e a melhor coisa que fazemos
e deixar que elas realmente possam ir embora.

Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja!)
destruir recordações, mudar de casa, dar muita
coisa para orfanato, doar ou vender
livros que tem. Tudo nesse mundo visível é uma
manifestação do mundo invisível, do que está
acontecendo em nosso coração - e ao desfazer-se de
certas lembranças significa também abrir espaço
para que outras tomem seu lugar.
Deixar ir embora...
Soltar...
Desprender-se...
Ninguém está jogando nessa vida com cartas marcadas,
portanto às vezes ganhamos, às vezes perdemos.
Não espere que devolvam algo, não espere
reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio,
que entendam seu amor.
Pare de ligar a televisão emocional e assistir
sempre o mesmo programa, que mostra como você sofreu com
determinada perda: isso estará apenas envenenando, e nada mais.

Não há nada mais perigoso do que rompimentos
amorosos que não são aceitos, entrevistas de
emprego que não têm data para começar, decisões
que são sempre adiadas em nome do momento ideal.
Antes de começar um capitulo novo é preciso terminar o antigo.
Diga: "O que passou jamais voltará".
Lembre-se que houve uma época que podia viver
sem aquilo, sem aquela pessoa, nada é insubstituível,
um hábito não é uma necessidade. Pode parecer óbvio,
pode parecer difícil, mas é muito importante.

Encerrando ciclos.
Não por causa do orgulho, por incapacidade ou por soberba,
mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa
mais na sua vida.
Feche a porta,
mude o disco,
limpe a casa,
sacuda a poeira.
Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é.